segunda-feira, 20 de abril de 2015

Oitavo transplante de fígado é realizado com sucesso no Acre

Diego Tenutti (Assessoria Sesacre)

Foto: Júnior Aguiar
Depois de mais de 26 horas, terminou com sucesso o oitavo transplante de fígado realizado no Acre, na madrugada deste domingo, 19. O órgão foi doado por uma família de Mato Grosso do Sul e foi transportado em avião fretado pelo governo do Estado para Rio Branco. O paciente que recebeu a doação tem 51 anos, está bem e em recuperação pós-operatória na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas (HC) de Rio Branco.
Todo o trabalho para realização do transplante começou na noite de sexta-feira, 17, quando a Central Nacional de Transplantes informou à Central de Transplantes do Acre sobre a disponibilidade de um órgão em Campo Grande (MS) compatível com um paciente de Rio Branco. A partir desse momento, uma série de ações é desencadeada. O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), autoriza o fretamento da aeronave para transportar o órgão.
De São Paulo, médicos que compõe a equipe de transplantes do Acre pegam o primeiro voo com destino a Rio Branco. Enquanto isso, outro médico, também do estado paulista, segue para Campo Grande para fazer a retirada do órgão doado. No sábado, 18, o paciente receptor do órgão já está internado no HC, em preparação para o procedimento cirúrgico. Às 20 horas, pousa o avião com o órgão e parte da equipe médica. Com paciente e equipe médica preparados no centro cirúrgico, o transplante começa por volta de 21 horas e termina, com sucesso, a uma hora da madrugada de domingo, 19.
Foto: Júnior Aguiar
Em vigília, estavam familiares do paciente receptor, na sala de espera do centro cirúrgico do HC. “Há oito anos, meu marido descobriu que estava com hepatite C. Fez todo o tratamento aqui no Acre, tudo pelo SUS [Sistema Único de Saúde]. Até que a doença agravou para uma cirrose, o que o colocou na fila de espera por um transplante”, conta a esposa do paciente receptor, Ana Cláudia Ferraz.
Por ser o transplante de fígado um procedimento cirúrgico de alta complexidade, todos os pacientes ficam, em média, cinco dias internados na UTI, em recuperação. Depois, vão para leitos normais até receberem alta médica. Mesmo de alta, eles continuam o tratamento com medicamentos para evitar a rejeição do órgão, por exemplo, ofertados gratuitamente pelo SUS. O Serviço de Atendimento Especializado (SAE) do HC é o setor que acompanha os pacientes, onde fazem consultas rotineiras com os médicos especialistas em transplantes.
Transplante no Acre
O mês de abril de 2014 marcou a história da saúde pública do Acre, quando o vigilante Lúcio Nepomuceno passou pelo primeiro transplante de fígado realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na região Norte do país.
Foto: Júnior Aguiar
“Sou o resultado da família que doou o órgão, da dedicação dos médicos e do hospital, do empenho das equipes de governo e da permissão de Deus para que eu retomasse a minha vida normalmente”, disse Nepomuceno, no dia em que recebeu alta médica.
O procedimento de alta complexidade envolve profissionais do Acre e de São Paulo, liderados pelos médicos especialistas Isamu Lima e Tércio Genzini.
Para o Acre começar a realizar transplantes de fígado, foram dois anos de estruturação do hospital e treinamento de profissionais. Além do transplante de fígado, o Acre realiza os transplantes de rim e córnea, desde 2006 e 2010, respectivamente.
Foto: Júnior Aguiar 
“Agora já estamos em fase de habilitação do Acre para realizar transplante de pâncreas e ossos. Com isso, o estado continua o processo de melhoria e ampliação dos serviços de saúde. E isso tudo é resultado do empenho do governador Tião Viana e de uma equipe de governo que trabalha incansavelmente pela saúde da população”, comemorou o secretário de Estado de Saúde, Armando Melo.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Transplante de múltiplos órgãos beneficia mais três pacientes na capital

Cássia Veras (Assessoria HC)

Foto: Júnior Aguiar
“Era uma vida de sofrimento. Ela acordava três horas da madrugada para, às quatro, estar no hospital, onde faria a hemodiálise, e saía por volta de onze horas, três vezes na semana”, relatou Marcelo Silveira, filho da paciente Maria de Fátima Xavier, que foi submetida na tarde desta quarta-feira, 15, ao transplante de rim no centro cirúrgico do Hospital das Clínicas (HC) de Rio Branco.
Para Marcelo, o transplante da mãe representa uma nova vida, para ela e para a família. “Quando minha mãe recebeu a notícia do transplante, ficou toda animada. Desde cedo estamos aqui, e agora eu creio que a vida da minha mãe vai mudar. A partir desse transplante, ela vai voltar à vida normal”, disse.
A cirurgia se deu graças a uma doação de múltiplos órgãos ocorrida na madrugada de terça-feira, 14. O doador, de 56 anos e do sexo masculino, foi vítima de um aneurisma cerebral. A família doou o rim e as córneas. Três pacientes foram beneficiados.
Foto: Júnior Aguiar
As irmãs do doador, Darcy Galvão e Cleonice Lopes, não hesitaram quando os médicos propuseram à família a doação. “Eu creio naquela palavra de fazer o bem sem olhar a quem. Como não existia mais possibilidade de ele retornar à vida, nós não pensamos duas vezes em ajudar, para que outras pessoas pudessem ter direito a uma nova vida. Sabe-se lá se amanhã ou depois nós também não vamos precisar, porque tudo que plantamos colhemos”, declarou Darcy.
Com esse, são quatro transplantes de múltiplos órgãos realizados em 2015. No total, foram beneficiados com transplantes de rins, córnea e fígado, de 2006 até abril deste ano, 221 pacientes que estavam na lista de espera do estado. A coordenadora da Central de Transplantes do Acre, Regiane Ferrari, comemora os números, mas frisa que ainda há muito a ser feito.
“Fico muito feliz em ver que a sociedade começa a entender o processo de doação, pois o valor é incalculável para a pessoa que recebe. Hoje é possível ter um diálogo com a comunidade, as pessoas estão conversando mais sobre o assunto, e isso é muito importante”, ressaltou a coordenadora.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Mais uma cirurgia de epilepsia é realizada no HC em Rio Branco

Rayele Oliveira (Agência de Notícias do Acre)



Foto: Angela Peres/Secom
Enquanto Maria Eliane Araújo aguardava na antessala do centro cirúrgico do Hospital das Clínicas (HC), um de seus sete filhos, Antônio (nome fictício), passava pela cirurgia de epilepsia na unidade. Ele foi o sexto paciente a ser submetido ao procedimento no estado, realizado neste mês.
Ansiosa pelo resultado, Eliane conta emocionada a história de Antônio, que já sofria com o problema antes de completar dois anos de idade. Hoje, ao vê-lo com 25, ela só pode esperar o que toda mãe deseja a um filho: que tenha saúde e viva bem.
Antônio nunca foi à escola ou teve a oportunidade de ser mais inserido no convívio social. Além da síndrome epilética, também apresentou outros quadros neurológicos que o condicionaram a viver na dependência da família.


Por sua vez, Maria Eliane precisou abrir mão de seus interesses pessoais para se dedicar exclusivamente ao filho, atravessando muitas dificuldades. “Algumas vezes quase vi meu filho morrer. Ele tem a cabeça toda cortada por causa das quedas, tem o corpo todo marcado dos arames lá da chácara, já se perdeu várias vezes, já tiraram ele de dentro do açude e já sofremos muito preconceito das pessoas. Nunca pude nem trabalhar, porque ele não podia ficar só”, relatou.
Foto: Angela Peres/Secom
A epilepsia ainda é um problema que causa segregação entre as pessoas. Dos 52 anos de Maria Eliane, quase 25 foram de noites mal dormidas e muito sofrimento. “Ninguém quer ver um filho sendo destratado pelos outros. Ele é minha vida, tudo o que mais quero é que não sofra mais”, diz, entre lágrimas.
Enquanto isso, na sala de cirurgia…
Cada detalhe é planejado minuciosamente, nenhum erro pode surpreender a equipe, que tem nas mãos a responsabilidade com a vida do paciente. Melhor dizendo, a incumbência de entregar-lhe a chance de ter uma nova vida. É visível a concentração dos profissionais, que, sob a coordenação do neurocirurgião Ivan Ortiz, permanecem durante horas em absoluta sincronia.
Em meio a equipamentos de tecnologia avançada, uma equipe composta por seis pessoas, entre enfermeiras, anestesista e cirurgiões, realiza a operação, cujos procedimentos podem ser acompanhados passo a passo por meio de uma microcâmera que reproduz as imagens em uma TV e em um monitor. A complexidade da ação exige dedicação e entrega por parte de todos.
O tratamento da epilepsia pelas palavras do neurocirurgião
Os serviços neurológicos que envolvem as cirurgias de epilepsia já estão consolidados no Acre desde 2014. Seja de forma clínica ou cirúrgica, os pacientes diagnosticados passam pelo tratamento para que seja possível ter o controle das crises, que, em alguns casos, provocam as convulsões.
“Há que se deixar claro que a epilepsia não tem cura e, portanto, não se sabe sua causa primária. O que se consegue é controlar, seja apenas com a medicação, ou, nos casos extremos, com a cirurgia. Depois dela, mesmo que o paciente passe anos sem ter crises, não é possível dizer que jamais voltará a ter alguma”, explica.
Foto: Angela Peres/Secom

O tratamento é feito com o objetivo de reinserir os pacientes ao meio social. “A epilepsia não permite às pessoas que desenvolvam relações escolares, laborais ou mesmo familiares. São problemas que se prolongam de tal forma que tudo o que o paciente conhece é a exclusão social. Por saber o quanto a cirurgia traz uma mudança radical é que tanto queremos devolver a eles a vida”, completa.
Sobre a estrutura para os procedimentos, Ivan é enfático: “Não existem outros lugares assim hoje na Região Norte e nem em muitos outros estados do Brasil”. O fato é que, assim como Antônio, o que se deseja é que todos os pacientes tenham acesso ao tratamento e mais qualidade de vida.